A Gamma vai lançar o 16º álbum da Rainha do Natal. E com seu novo single, “Type Dangerous”, ela mira o trono dos Beatles.
Por volta da meia-noite, no dia seguinte ao Halloween, Mariah Carey estava sentada na luxuosa mansão em Bel Air do produtor musical Antonio “L.A.” Reid. Aos 56 anos, Carey pode ser uma das artistas que mais vendeu discos de todos os tempos — com cinco prêmios Grammy e 19 singles número um (o maior número entre artistas solo) — mas ainda busca a opinião de Reid, amigo de mais de 20 anos e responsável por moldar carreiras como as de Usher, TLC, Pink e outros, como presidente das gravadoras Epic, Arista e Island Def Jam. Também presente estava Larry Jackson, CEO de 44 anos da startup musical Gamma, fundada há dois anos.
Enquanto Carey tocava faixas de seu próximo álbum – o 16º de sua carreira, Jackson, que está no setor há mais de 30 anos, ficou impressionado com o momento. “Por que estou nesta sala?”, lembra de ter pensado. Mas Carey lhe disse: “Eu sei quem você é. Sei o que você fez. E acho que você é a pessoa certa para me levar a novos patamares.”
Com o lançamento à meia-noite de seu novo single, “Type Dangerous”, começa o desafio definitivo. Entre os objetivos de Carey está conquistar seu 20º número um — o que a empataria com os Beatles — e depois o 21º. É o equivalente musical de LeBron James quebrando o recorde de pontuação de Kareem Abdul-Jabbar na NBA. E Carey conta com Jackson para levá-la ao topo do Olimpo da música.
“Acho que o Larry talvez esteja subestimando sua popularidade”, diz Reid à Forbes. “Mariah Carey sabe quem é Larry Jackson.”
Co-fundador do Beats Music ao lado de Dr. Dre e do produtor Jimmy Iovine, e um dos idealizadores da Apple Music, Jackson começou no setor aos 11 anos, como estagiário da rádio KMEL em San Francisco, e se tornou diretor musical aos 16. “Hoje seria impensável”, diz ele sobre o cargo. “Mas eram tempos menos regulados.” Jackson logo foi orientado por Clive Davis, o lendário fundador e CEO da Arista Records, que lançou a carreira de Whitney Houston, entre outras.
Ao longo da carreira, Jackson produziu Luther Vandross, gerenciou Kanye West e produziu o último álbum de estúdio de Whitney Houston. Mais tarde, foi para a Interscope Records trabalhar com Iovine, que depois cofundou a Beats com Dr. Dre. Em 2014, a empresa foi vendida para a Apple por mais de US$ 3 bilhões, o que levou Jackson a se tornar a força criativa por trás da Apple Music.
“Não terminei o ensino médio e não fui para a faculdade”, disse Jackson à Billboard em 2023. “Minha universidade foi trabalhar com o Clive. A pós-graduação foi com o Jimmy.”
Após sete anos na Apple, Jackson fez o que poucos executivos em Cupertino ousam: saiu para fundar seu próprio negócio. Ele lançou a Gamma em 2023 com apoio da Eldridge Capital, do bilionário Todd Boehly, do estúdio de cinema independente A24 e da própria Apple. A Gamma adquiriu a Vydia, uma empresa de distribuição digital de Nova Jersey que serve como plataforma tecnológica da startup, assinou com Usher e Rick Ross, e comprou parte do acervo da Death Row Records, comprada por Snoop Dogg no ano anterior. No fim de 2024, a Gamma também se associou a Snoop e à empreendedora de joias Carolyn Rafaelian, fundadora da Metal Alchemist e da Alex and Ani, para lançar a marca de joias Lovechild.
“Ele é o mais direto possível”, diz Boehly sobre Jackson. “E se importa com os artistas, quer que construam seus próprios negócios e pensem de forma diferente sobre as oportunidades, em vez de seguir apenas o caminho tradicional das gravadoras. Vejo empreendedores apoiando empreendedores em um mundo cada vez mais empreendedor. E você tem grandes artistas como Snoop, Usher e agora Mariah Carey indo até Larry porque estão se tornando mais empreendedores.”
“O que Larry Jackson está construindo com a Gamma”, diz Carey à Forbes, “vai além da música. É uma mudança cultural, e estou animada por fazer parte de algo que honra o legado e ao mesmo tempo ultrapassa limites. Esse próximo capítulo é sobre ter controle da minha narrativa e criar livremente nos meus próprios termos.”
Reid, que será o produtor executivo do álbum de Carey por meio de sua nova empresa Mega, acrescenta: “É um momento de virada, porque é uma das nossas maiores estrelas decidindo se juntar a uma empresa independente, autônoma e sem vínculo com nenhuma grande gravadora. É uma virada de jogo tanto para a Gamma quanto para a Mariah.”
Jackson e Carey escolheram junho — o Mês da Música Negra — para oficializar a parceria. Segundo disseram à Forbes, fecharam um acordo para vários álbuns enquanto Carey busca fazer história.
“Não tenho uma bola de cristal”, diz Reid. “Mas minha intuição me diz que isso vai dar certo. Ela está lutando para continuar atual. Ele também. Acho que é uma vitória para os dois.”
Nascido em San Francisco em 1980, Jackson é filho de um professor universitário e de um engenheiro de tecnologia. Seu pai trabalhou anos na AMD antes de conhecer a mãe de Jackson e se tornar professor. “Venho de uma família com raízes fortes”, diz Jackson, sobre os pais, casados há mais de 50 anos. “Aprendi mais sobre o que não fazer do que sobre o que fazer.”
Aos oito anos, Larry se apaixonou por música assistindo Showtime at the Apollo nas noites de sábado. O programa afinou seu ouvido musical e, aos 17, ele largou o colégio para se dedicar ao trabalho como diretor musical da KMEL. Primeira rádio da Costa Oeste a abraçar totalmente a cultura hip-hop e R&B, a KMEL tocava nomes como MC Hammer, Tony! Toni! Toné!, Digital Underground e E-40 nas tardes.
“Lembro de ver o Green Day tocar no Bottom of the Hill, em San Francisco, para 50 pessoas antes de estourar”, lembra Jackson. “Foram muitas experiências desde cedo. Essas eram as pessoas que passavam pela rádio.”
Em 2000, seu mentor na KMEL, Keith Naftaly, se juntou a Clive Davis na recém-criada J Records, após serem afastados da Arista. Ampliando a equipe de A&R, Davis chamou Jackson, que estava tocando músicas que viravam hits. “Fui à reunião com um sucesso”, diz Jackson. A música era Take You Out, de Vandross. “Consegui o emprego na hora.”
“Não cheguei aqui por acaso”, continua. “Você realmente não entende a jornada, os sacrifícios e o trabalho duro de alguém até ouvir sua história. E aí percebe que existem níveis para isso.”
Com a redução no número de executivos negros moldando a música, após a morte de ícones como Quincy Jones e Clarence Avant, Jackson vê uma oportunidade de transformação com a Gamma — assim como Berry Gordy revolucionou a música com a Motown nos anos 60. (Gordy vendeu o selo em 1988 por US$ 61 milhões — cerca de US$ 167 milhões hoje). “Se você olhar para o setor [musical] em termos de liderança”, diz ele, “não tem ninguém que se pareça comigo.”
De certa forma, a carreira de Jackson está se completando esta semana. Na quarta-feira, ele estava em Nova York para entregar a Clive Davis um prêmio pelo conjunto da obra, no mesmo Teatro Apollo que sonhava quando criança. De volta ao quarto de hotel, quer curtir o momento e se preparar para o lançamento do single de Carey.
O teaser de “Type Dangerous”, segundo Jackson, teve mais de seis milhões de visualizações — “e isso só entre Instagram e X”. Ele vê isso como um forte sinal de que há grande expectativa por um novo álbum de Carey. Só que agora, a Gamma pode controlar seu próprio algoritmo com a ajuda da Apple para garantir máxima exposição. “Ela sempre fez parte da máquina”, diz ele.
“É sobre assuntos inacabados e sobre independência”, acrescenta Jackson. “Muitas empresas estão focadas em modinhas virais de TikTok, em vez de realmente entender a arte de desenvolver artistas e o que é necessário para trabalhar com uma diva. E isso exige um tipo diferente de mestrado ou doutorado para realmente guiar uma carreira desse porte neste momento.”